Após 100 anos de branqueamento, o Brasil retratará a deusa Iemanjá como negra

BEATRIZ MIRANDA

FOTO: CORTESIA DE CRISTIAN CARVALHO.

Todo dia 2 de fevereiro, a cidade de Salvador no Brasil celebra Iemanjá , divindade do mar e da maternidade, que é a deusa iorubá mais venerada do país. Durante esta comemoração em 2016, enquanto centenas de milhares de devotos rezavam a este orixá em uma festividade de horas que acontece sempre na orla do bairro do Rio Vermelho, Cintia Maria, frequentadora assídua, sentiu-se profundamente incomodada.“O alto número de representações de Iemanjá de pele branca me chamou a atenção. Eu pensei, ‘como é que, no século 21, não aceitamos que uma divindade africana é negra’”, lembra Maria ao Refinery29 Somos.Neste dia 2 de fevereiro, Maria, produtora cultural, e sua companheira de trabalho Jamile Coelho, cineasta, esperam que o histórico embranquecimento de Iemanjá não passe mais despercebido. Ambas as mulheres negras dirigem o Museu da Cultura Afro-Brasileira de Salvador (MUNCAB), e com o ano de 2023 marcando o centenário do Dia de Iemanjá em Salvador, a MUNCAB produziu, pela primeira vez, uma escultura de Iemanjá negra, presenteada à colônia de pescadores do Rio Vermelho ( onde fica o altar de Iemanjá) para a festa. “

“Como é que, no século 21, não aceitamos que uma divindade africana é negra?”CINTIA MARIA”Feita de metal, mármore, resinas de vidro e conchas importadas da Indonésia, a escultura meio mulher, meio peixe resgata a Negritude de Iemanjá — uma deusa que, apesar de suas origens africanas, foi caiada ao longo da história brasileira. Em Salvador, os brasileiros começaram a comemorar o Dia de Iemanjá em 1923, quando pescadores desta cidade nordestina, considerada a mais negra fora da África, começaram a oferecer presentes à deusa do mar para exigir abundância de peixes. A festividade ganhou popularidade nas décadas seguintes, especialmente entre 1930 e 1950.

Lemanjá
FOTO: CORTESIA DE CRISTIAN CARVALHO.

“O aumento do interesse de pesquisadores estrangeiros, [como o fotógrafo francês Pierre Verger e a antropóloga americana Ruth Landes], e de artistas brasileiros, [como o músico Dorival Caymmi e o romancista Jorge Amado], pela cultura afro-baiana, e a consequente mudança na [racista] da mídia local, ajudou a tornar a festa de Iemanjá um evento turístico atraente”, diz Sarah Nascimento, Ph.D., professora de antropologia que se concentra em relações raciais brasileiras na Universidade Federal da Bahia.Embora a divindade seja celebrada em todo o país, a festa de Iemanjá de Salvador continua sendo a mais famosa, com até um milhão de pessoas participando todos os anos.“

“É a mãe que luta pelos filhos, a mãe que sustenta e alimenta o mundo onde quer que esteja, seja qual for a sua forma e imagem.”VILSON CAETANO”De acordo com Vilson Caetano, um antropólogo que foi trazido para o projeto para compartilhar sua visão especializada para a produção da escultura, existem muitas razões pelas quais Iemanjá não é apenas o orixá mais popular no Brasil, mas em todas as Américas, onde ela é chamada de Yemayá em países de língua espanhola como Cuba, Porto Rico e República Dominicana.Além de ser uma orixá cuja seita, originária do Império Yoruba de Oyo na Nigéria , chegou às Américas no século XVI devido ao fluxo transatlântico da escravidão, Iemanjá representa “a mãe de todos”. “É a mãe que luta pelos filhos, a mãe que sustenta e alimenta o mundo onde quer que esteja, seja qual for a sua forma e imagem”, diz Caetano ao Somos.

Lemanjá
FOTO: CORTESIA DE CRISTIAN CARVALHO.

Com o domínio histórico do catolicismo na sociedade brasileira colonizada pelos portugueses, os africanos escravizados e seus descendentes passaram a associar Iemanjá às aparições da Virgem Maria. “Foi uma estratégia de resistência das populações negras escravizadas para preservar suas tradições”, diz Maria, presidente da MUNCAB.Mas a perseguição sancionada pelo Estado às religiões afro-diaspóricas não terminou com a escravidão. Nascimento observa que “só a partir da década de 1970 é que os terreiros de candomblé não precisam mais de autorização policial para realizar atividades religiosas”. Ainda assim, persiste o embranquecimento dos orixás negros: santos de aparência européia, como Nossa Senhora dos Navegantes e Nossa Senhora da Luz, muitas vezes são entendidos como “sinônimos” de Iemanjá, e suas imagens prevalecem sobre a representação de Iemanjá negra. “

“Quando as pessoas começarem a aceitar que uma deusa africana é negra, teremos dado um grande passo em direção à igualdade racial.”CINTIA MARIA”Embora o sincretismo religioso tenha desempenhado um papel quando as divindades africanas foram perseguidas e criminalizadas pelo Estado, Maria acredita que a continuação do sincretismo nos dias atuais está prestando um péssimo serviço aos negros brasileiros e ao movimento antirracista do país . Por exemplo, de todas as imagens de Iemanjá que os devotos levam para a festa de 2 de fevereiro no Rio Vermelho, a grande maioria imita Nossa Senhora dos Navegantes. “Quem se beneficia da massificação de uma representação de Iemanjá branca e de cabelos lisos”, questiona Maria.

Lemanjá
FOTO: CORTESIA DE CRISTIAN CARVALHO.

Por isso ela e Coelho trabalharam para produzir a escultura Iemanjá Negra para a comemoração do centenário. Na contagem regressiva para o 100º Dia de Iemanjá em Salvador, Rodrigo Siqueira, artista plástico que realizou a escultura, destaca a importância simbólica da iniciativa da MUNCAB.“Poder contar com referências negras nos espaços públicos de Salvador proporciona representatividade, tanto para os moradores quanto para os turistas, que buscam vivenciar a real história deste lugar. Também eleva os negros e negras devotos de Iemanjá”, conta Siqueira ao Somos.Para Maria, a festa de Iemanjá simboliza a celebração da resistência da cultura negra. A nova escultura, da mesma forma, representa a afirmação da identidade negra de Iemanjá.“O fato de Iemanjá ser negra deveria ser redundante. Mas a crueldade do racismo faz com que as pessoas o questionem”, diz ela. “Quando as pessoas começarem a aceitar que uma deusa africana é negra, teremos dado um grande passo em direção à igualdade racial.”

Retrospectiva David Lynch acontece na Cinemateca Brasileira; confira programação

Instituição irá exibir obras como Twin Peaks, Veludo Azul e mais
GIOVANNA BREVE

Cinemateca Brasileira/Divulgação

David Lynch receberá uma exibição pela Cinemateca Brasileira no mês de fevereiro. A Retrospectiva David Lynch acontece entre os dias 02 e 12 de fevereiro, a instituição irá exibir grandes obras do diretor como a primeira temporada de Twin Peaks e os filmes Veludo Azul, O Homem Elefante, entre outros. Confira a programação completa:

Cinemateca Brasileira/Divulgação

A entrada é gratuita e os ingressos serão distribuídos 1 hora antes de cada sessão. A Cinemtateca Brasileira fica na Largo Sen. Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino, São Paulo capital.

São Paulo, capital nacional da mortadela

Cidade quis ser capital mundial da gastronomia, mas realidade se impôs: sanduíche do Mercadão é a nossa imagem lá fora
Marcos Nogueira

Sanduíche de mortadela do Bar do Mané, no Mercadão de São Paulo
Sanduíche de mortadela do Bar do Mané, no Mercadão de São Paulo – Robson Ventura/Folhapress

Um dia, na falta de coisa melhor para fazer, a vereança de São Paulo concedeu à cidade o título de “capital mundial da gastronomia”.

Tudo bem, ainda era o século passado. São Paulo recebia caravanas de ônibus com idosos de Bauru e Araraquara para jantar nas cantinas do Bixiga depois de ver uma comédia no teatro. Isso talvez tenha impressionado nossos vereadores.

Vamos e venhamos, a megalomania paulistana já soava ridícula na época. “Nova York não precisa se dizer capital da gastronomia”, espetou Percival Maricato, representante dos donos de restaurantes, num texto publicado pela Folha em 3 de setembro de 1997.

A realidade, que não havia sido consultada, se impôs implacável. Um quarto de século mais tarde, São Paulo se consolida como capital. A capital nacional do pão com mortadela.

Isso diz um bocado sobre nós. Diz algo que não é agradável de se ouvir. Numa cidade que oferece comida congolesa, haitiana, vietnamita, persa, boliviana, russa, camaronesa, egípcia, filipina, afegã, armênia, polonesa e indonésia, a maior atração gastronômica é um sanduíche de mortadela.

É quase meio quilo de mortadela socado entre duas frágeis metades de um pão francês. Tem gente –e não e pouca gente– que encara com um sorriso no rosto a muvuca do Mercadão para degustar tal iguaria.

Sanduíche de mortadela servido no Bar do Mané, no Mercadão
Sanduíche de mortadela servido no Bar do Mané, no Mercadão keiny_andrade

Se o poder público não conseguiu emplacar a tíbia pretensão de capital gastronômica, o poder econômico trabalha com afinco para consolidar São Paulo como terra da mortadela.

O fabricante da marca mais vendida de mortadela inventou, na semana de aniversário da cidade, uma tal de mortangüela week ou coisa que o valha. Fez o maior forrobodó para ratificar, em solo paulistano, o recorde mundial de sanduíche de mortadela mais longo.

Afinal, o que seduz na mortadela do Mercadão? Não dá nem pra dizer que se trate de uma comida típica –o embutido é uma invenção da cidade de Bolonha, na Itália.

Cartaz mostra desenho de moça de cabelos pretos segurando prato com mortadela
Cartaz anuncia mortadela na cidade de Bolonha, Itália – Marcos Nogueira

Tem um documentário argentino chamado “E il Cibo Va” (“E a Comida Vai”, em italiano), que mostra a transformação da dieta dos imigrantes da Itália em Buenos Aires e Nova York.

Acostumados à escassez de comida, os colonos se deslumbram com a abundância nas Américas. Expatriada, a culinária italiana enfia o pé na jaca. Abusa do queijo, exagera no molho, refestela-se de carne.

Algo semelhante ocorreu aqui em São Paulo, e aposto que a popularidade do monstro de mortadela do Mercadão se encaixa no fenômeno.

Com o agravante de que brasileiro adora macaquear americano: dá-lhe hambúrguer com 18 carnes, pizza de nove queijos, coxinha de dois quilos e refil infinito de refrigerante. Sintomático que Anthony Bourdain, chef porém gringo, tenha se encantado com o sanduba do Mercadão.

Se você, residente ou visitante, estiver por lá, pode bater aquela vontade de provar o sanduíche de mortadela.

Então, para seu próprio bem, siga este conselho: respire, saia, atravesse a rua da Cantareira e coma esfiha numa das biroscas árabes do mercado Kinjo Yamato. Vai por mim, é mil vezes melhor.

Advogadas queimam sutiã em protesto contra Secretaria de Administração Penitenciária de SP

Profissionais dizem que, em unidades sem scanner, estaria sendo exigido que elas tirassem a peça de roupa para entrar
Paulo Eduardo Dias

Advogadas queimam sutiãs na porta da SAP
Advogadas queimam sutiãs na porta da SAP na zona norte de São Paulo – Divulgação

SÃO PAULO – Um grupo de advogadas queimou sutiãs no portão de entrada da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), na zona norte de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (27). O ato ocorreu em desagravo a violações durante ingresso das profissionais em unidades prisionais.

Conforme a advogada criminalista Karina Carmo, responsáveis por unidades prisionais com scanner quebrado têm obrigado as advogadas a tirarem a peça de roupa para ingressar no sistema. Um dos casos ocorreu no dia 20 deste mês, no Centro de Ressocialização de Rio Claro, no interior de São Paulo.

“Queimamos sutiãs em prol de que sejamos respeitadas no exercício da nossa profissão. Algumas advogadas estão sendo coagidas a tirar o sutiã para poder atender um detento, atender a um cliente dentro do sistema carcerário”, disse Karina.

Outra queixa das advogadas é de, na ausência de funcionárias do sexo feminino, homens estão operando scanner corporais, o que causa constrangimento, já que é possível notar se a profissional possui silicone, piercing, ou está usando absorvente, explicou Karina.

“Nós protocolamos formalmente um requerimento a fim de que o secretário apure essas ilegalidades que estão ocorrendo por ordem dos diretores prisionais”, acrescentou a advogada.

Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária disse que foi protocolada uma solicitação da OAB em relação às visitas de advogadas em unidades prisionais. A solicitação está sendo analisada para que sejam tomadas as medidas mais adequadas para evitar constrangimentos.

Conforme a pasta, a comissão foi recebida pessoalmente pelo secretário coronel Marcello Streifinger, na quinta-feira (26).

Quebrando as complexidades da cultura do tênis

Tênis preto e branco estilo feminino
Foto: Shutterstock

Os tênis da moda tiveram um grande renascimento nos últimos anos, e é fácil entender por quê. A cultura dos tênis e a arte de colecionar são uma fusão de estilo, conforto e desempenho.

A cultura do tênis ganhou força com a onda de popularidade em torno de Michael Jordan e sua icônica linha de tênis Air Jordan, que estreou em 1985. Seu endosso na comunidade hip-hop impulsionou ainda mais isso.

Hoje, a cultura do tênis cresceu além de uma simples tendência e agora é considerada uma expressão de estilo de vida, moda e personalidade. Marcas líderes como Nike, Adidas e Converse são as forças motrizes por trás desse movimento que chamou a atenção de todos – de atletas e celebridades a pessoas comuns.

A mania dos tênis nunca para de nos surpreender com sua variedade de designs e estilos, que surgem de forma consistente. Afinal, não se trata mais apenas de ter sapatos; eles também são uma maneira de os indivíduos se destacarem pelo que usaram primeiro.

A ascensão das marcas de tênis na cultura contemporânea

Tênis Feminino Nike Air Jordan 1
Foto: badnews86dups / Shutterstock

A ascensão das marcas de tênis na cultura contemporânea tem sido fenomenal. Da Nike à Adidas e Converse, alguns dos nomes mais confiáveis ​​da indústria de calçados tornaram-se sinônimo de um estilo de vida que celebra estilo, conforto e desempenho.

Essas marcas icônicas ganharam imensa popularidade devido à sua capacidade de criar designs exclusivos que atendem a diferentes gostos e preferências. Seja streetwear, alta moda ou calçados esportivos, há algo para todos em relação aos tênis. As infinitas possibilidades disponíveis são uma prova de quão longe a cultura do tênis chegou desde seu humilde começo na cena do basquete de meados da década de 1980.

MARCAS POPULARES DE TÊNIS

Existe uma grande variedade de marcas populares de tênis no mercado hoje, todas superiores, oferecendo qualidade e designs inovadores. A Nike é um dos fabricantes mais conhecidos e produz calçados para atletas desde a sua criação.

A Adidas, uma gigante alemã de roupas esportivas, oferece alguns dos melhores tênis de corrida do setor. A Converse, uma subsidiária da Nike, tem sido um marco na cultura dos tênis desde 1908 e é popularmente conhecida por sua icônica linha Chuck Taylor All-Star. Outras marcas notáveis ​​incluem New Balance, Puma, Reebok, Vans e ASICS.

Tênis da moda de luxo

Tênis de luxo também ganharam imensa popularidade nos últimos anos. Estes sapatos sofisticados são feitos com couro premium, camurça e peles de animais exóticos. Este tipo de calçado é mais caro do que os tênis tradicionais, mas oferece um visual sofisticado e luxuoso que atende a quem quer o melhor dos dois mundos: estilo e conforto. Marcas como Gucci, Balenciaga, Louis Vuitton e Dolce & Gabbana são alguns dos principais nomes em tênis de luxo.

Celebrando estilo e conforto com tênis

Tênis Estilo Athleisure Feminino
Foto: Shutterstock

Tênis são mais do que apenas sapatos. Eles são uma maneira de expressar sua individualidade e fazer uma declaração sobre quem você é. É por isso que marcas como Nike, Adidas e Converse têm se esforçado continuamente para criar designs que atendam a diferentes gostos e preferências para permitir que as pessoas mostrem seus estilos únicos.

Tênis também são incrivelmente confortáveis. Os designs mais recentes apresentam materiais leves e tecnologias de amortecimento, tornando-os ideais para atividades de lazer, esportes ou uso diário. Graças à sua combinação de forma e função, esses sapatos se tornaram a escolha certa para muitos fãs de tênis que apreciam estilo e desempenho.

Últimas tendências no mundo dos tênis

O mundo dos tênis está em constante evolução e novas tendências estão surgindo constantemente. De tênis grossos a designs minimalistas elegantes, há algo para todos quando se trata dos estilos mais recentes de sapatos.

Em relação às cores, tons pastéis e neons ousados ​​tornaram-se escolhas populares. A tendência athleisure também tomou conta do mundo da moda, e não é à toa que os tênis estão na vanguarda desse look.

Para ficar por dentro das últimas tendências, os fãs de tênis podem conferir os blogs e revistas online que compartilham os novos lançamentos mais quentes e as próximas colaborações entre marcas e designers.

Diferentes tipos de tênis

Tênis Moderno Feminino
Foto: Shutterstock

Da lona ao couro, os tênis são o calçado para todos hoje em dia. Aqui está uma lista de alguns tipos populares:

  • Tênis esportivos: são projetados para uso durante atividades físicas e oferecem amortecimento, suporte e tração.
  • Tênis retrô: esses tênis clássicos vêm em vários estilos inspirados nas décadas passadas.
  • Tênis de corrida: esses tênis são projetados especificamente para fornecer amortecimento e suporte durante a corrida ou jogging.
  • Tênis cano alto: esses tênis são altos no tornozelo para suporte adicional.
  • Tênis de skate: como os tênis antiderrapantes da Vans , esses tênis são projetados para fornecer tração e proteção extra ao andar de skate. 
  • Tênis Slip-on: Estes tênis vêm com um design fácil de deslizar, tornando-os perfeitos para um visual casual.
  • Tênis da moda: esses sapatos elegantes podem ser vestidos para cima ou para baixo.

Como escolher o tênis certo para você

Vários fatores, como tamanho, conforto e estilo, devem ser considerados na hora de escolher o tênis certo para você. Em primeiro lugar, você deve garantir que o par escolhido se ajuste bem aos seus pés para que não cause desconforto ao usá-lo.

Além disso, considere o tipo de atividade que você fará com seus sapatos. Se você está procurando algo para vestir durante a atividade física, procure pares que ofereçam bom amortecimento e tração. Por outro lado, se você precisa de algo mais adequado para o uso diário, opte por um com design elegante ou esquema de cores da moda.

Maneiras criativas de mostrar seu estilo único por meio de tênis

Tênis feminino vestido moderno
Foto: Shutterstock

Tênis são uma ótima maneira de expressar seu estilo. De cores ousadas e estampas chamativas a cadarços atraentes, há infinitas maneiras de destacar seus sapatos. Você também pode personalizar seus sapatos com painéis ou remendos removíveis, permitindo que você mude a aparência de seus tênis sem comprar novos a cada vez.

Por fim, você também pode adicionar toques pessoais como monogramas ou mensagens nas solas dos sapatos. Esta é uma ótima maneira de garantir que ninguém mais tenha o mesmo par que você.

Dicas sobre como cuidar de seus sapatos

Depois de encontrar o par de tênis perfeito, é importante cuidar bem dele. A limpeza regular é essencial para manter seus sapatos com a melhor aparência. Use um pano macio e água morna para sapatos de couro ou camurça, evitando produtos químicos agressivos. Use um pano úmido e sabão neutro para limpar a superfície de sapatos de lona ou sintéticos. Também é essencial guardar seus sapatos em um espaço bem ventilado para evitar danos causados ​​pela umidade.

Palavras Finais

A cultura do tênis cresceu ao longo dos anos e é uma prova de quão longe ela chegou desde seu humilde começo. Da Nike à Adidas e Converse, alguns dos nomes mais confiáveis ​​da indústria de calçados tornaram-se sinônimo de um estilo de vida que celebra estilo, conforto e desempenho. Com infinitas possibilidades disponíveis quando se trata de tênis, há algo para todos.

É importante lembrar que os devidos cuidados devem ser tomados ao cuidar de seus sapatos, pois a limpeza regular e o armazenamento em um local bem ventilado podem garantir que eles durem mais. Para o estilo streetwear ou roupas esportivas, os tênis são a maneira perfeita de se expressar e fazer uma declaração. Então pegue o seu par favorito e aproveite a oferta de tênis com conforto e estilo.

Obra ‘Brasil Africano’ investiga formação de religiões afro-brasileiras e ataques de evangélicos

Reginaldo Prandi aponta resistência de candomblé e umbanda em meio a demonização de entidades e intolerância religiosa
Camila Crumo

Imagens no terreiro de umbanda Cansuá de Preto Manoel do Congo, na Vila Prudente, em São Paulo – Rubens Cavallari – 23.set.21/Folhapress

[RESUMO] “Brasil Africano“, coletânea que sintetiza a produção intelectual do sociólogo Reginaldo Prandi nos últimos 50 anos, oferece um panorama abrangente das mutações das religiões de matriz africana no Brasil. A obra explora, além do sincretismo com a doutrina católica e a perseguição por igrejas neopentecostais, os fatores culturais, geográficos e socioeconômicos que moldaram o culto de orixás no país e produziram um cenário que combina flexibilidade e resistência, mudança e estabilidade e abandono e memória.

Que caminhos levam um pesquisador a escolher o tema ao qual dedicará a maior parte da sua vida? Como é feita a seleção —e a própria construção— de um objeto de “sucesso”?

A sociologia ensina que nossas escolhas são condicionadas por muito mais fatores que sonha nosso vão individualismo. Não bastasse isso, cada novo passo, por mais planejado que seja, trás consigo um universo de repercussões imprevistas, gerando aquilo que Max Weber chamou de paradoxo das consequências. São por essas encruzilhadas da incerteza que caminha a mudança. Mesmo quando a oferenda funciona e o pai de santo consegue trazer de volta, em sete dias, aquele amor de outrora, a impermanência é a única constante.

O mesmo é verdadeiro para as instituições, entre as quais as religiões. A despeito de geralmente se promoverem como bastiões imutáveis da tradição, elas não são imunes às transformações sociais e às inflexões da história.

Tais mudanças, que se impõem sem serem convidadas e em torno das quais a vida se ajusta, são exatamente o fio condutor de “Brasil Africano: Deuses, Sacerdotes, Seguidores” (Arché). A coletânea de Reginaldo Prandi reúne artigos sobre as religiões afro-brasileiras que evidenciam as transformações sofridas tanto pelo autor quanto por seu objeto de estudo nas últimas cinco décadas.

Ainda em seu início, a própria carreira de Prandi foi marcada por uma mudança inesperada de planos. É verdade que o tema religião aparecia em suas investigações ocasionalmente. Porém, foi somente após ter tido extraviada sua mala repleta de documentos, artigos e livros que juntara nos Estados Unidos para produzir uma tese de livre-docência sobre os efeitos da pesquisa eleitoral no processo democrático que Prandi resolveu se dedicar novamente às religiões afro-brasileiras.

Em um paradoxo das consequências, 50 anos depois, somos brindados com esse livro que é uma espécie de resumo dessa impremeditada trajetória de pesquisa.

A obra pode ser apreciada tanto de forma fragmentada quanto conjunta, como um mosaico. Não é necessária uma leitura linear para compreender os capítulos que entregam detalhes ricos sobre os ritos dos terreiros, as características dos orixás e as organizações hierárquicas das religiões afro-brasileiras, com ênfase no candomblé e na umbanda, vertentes que lograram ultrapassar barreiras raciais e regionais e hoje são praticadas em todo o país.

Contudo, o leitor que se dedicar à apreciação integral do livro será contemplado, ao final, com um panorama bastante completo das mudanças motivadas pelos múltiplos fatores que lapidaram tais religiões e seus ritos em solo brasileiro.

Barracão do Axé Ilê Obá, primeiro terreiro de candomblé tombado em São Paulo, no bairro do Jabaquara, zona sul
Barracão do Axé Ilê Obá, primeiro terreiro de candomblé tombado em São Paulo, no bairro do Jabaquara, zona sul Karime Xavier/Folhapress

Usualmente, o sincretismo com os santos da Igreja Católica é a primeira ideia que nos ocorre ao pensar nas metamorfoses às quais as religiões africanas foram submetidas aqui. Para poder manter o culto aos seus orixás e ser parte de uma sociedade dominada pela doutrina católica, os negros escravizados associaram suas entidades aos santos católicos —conexão que, como assinalado no livro, foi facilitada pela imensa variedade de santos aos quais os fiéis podem recorrer para rogar por objetivos específicos, de forma semelhante à da relação dos devotos e seus orixás.

Prandi, no entanto, evidencia diversos outros fatores socioeconômicos, culturais e até mesmo geográficos que, agindo em conjunto com a dominação religiosa, contribuíram para a constante remodelação do culto dos orixás no Brasil.

O primeiro desses fatores é a própria mudança territorial. Na África, as entidades ligavam-se diretamente aos espaços e objetos naturais sobre os quais tinham domínio. No novo continente, as conexões geográficas e ocupações de origem perderam o sentido, o que foi agravado, mais modernamente, pelo avanço da urbanização e da industrialização.

Assim, nos conta Prandi, alguns orixás de rio, por exemplo, mudaram de especialidade e ficaram restritos à caça; outros foram suprimidos, e ainda outros mudaram o objeto natural ao qual respondiam, como o caso da famosa Iemanjá, conhecida aqui por ser rainha do mar, mas que originalmente seria uma deusa de rio.

O rompimento dos laços familiares é assinalado como outro fator importante na reorganização interna dessas religiões. Originalmente, o candomblé tem sua estrutura hierárquica baseada na das famílias extensas iorubás.

No Brasil, apesar de persistir a noção de que o terreiro pertence a seu fundador, o comando tendeu a ficar a cargo de mulheres negras libertas ou forras, não sendo mais prerrogativa do homem chefe da família extensa. Além disso, a separação dos membros das famílias reuniu, aqui, diversos orixás dentro de um único terreiro, algo que não ocorria nas comunidades iorubás, onde cada família cultuava um único orixá. Ou seja, no Brasil, a cada novo membro de um terreiro, um altar para o orixá do recém-chegado lhe era acrescentado.

Retrato de mãe Carmen de Oxum, iálorixá do terreiro Ilê Olá Omi Axé Opô Àráká, de São Bernardo
Retrato de mãe Carmen de Oxum, iálorixá do terreiro Ilê Olá Omi Axé Opô Àráká, de São Bernardo Karime Xavier/Folhapress

Das transformações modernas, Prandi destaca as aglutinações que se formaram em torno da umbanda, culto que foi um dos principais responsáveis pela popularização das religiões afro-brasileiras. A umbanda nasce da interação entre candomblé, religiões indígenas, kardecismo e catolicismo. Seus rituais e crenças são fruto de uma bricolagem de entidades, ritos e lógicas dessas quatro vertentes, uma montagem que fez com que ela fosse celebrada, por muito tempo, como a religião “verdadeiramente” brasileira.

Nessa composição, as entidades cultuadas englobam orixás africanos e outros representantes das culturas regionais de diversas partes do Brasil, como os caboclos (entidades indígenas), os marinheiros e os baianos, ao passo que conceitos cristãos de moralidade, que dividem o mundo entre “bem” e “mal”, se somam à noção de caridade, tão cara ao kardecismo.

Com preceitos morais alinhados aos dos cristãos, a umbanda foi inicialmente encarada como uma religião “do bem”, conquistando, assim, um espectro mais amplo de praticantes. Há, no livro, provas de que sua rápida expansão por todo o país levou pesquisadores da religião a acreditar, à época, que ela se tornaria a religião majoritária do Brasil, tomando o espaço do catolicismo, que já dava sinais de crise.

Nessa esteira, o candomblé passou a também cair na graça dos brasileiros. Gradativamente, foi se transformando de religião de resistência, praticada quase exclusivamente por pretos, em religião popular, agregando negros e brancos, inicialmente de camadas sociais baixas, mas, posteriormente, de camadas médias e altas.

Diferentemente do que se previa, no entanto, as religiões afro-brasileiras logo passaram a encolher, como mostraram os sucessivos Censos. Prandi menciona o contraste organizacional como um dos fatores que influenciaram a competição entre religiões afro-brasileiras e evangélicas pela mesma fatia da sociedade e no interior de um mercado religioso em expansão.

Enquanto as denominações evangélicas modernas estabeleceram uma estrutura empresarial, com canais de comunicação, planos de expansão e representação política, os terreiros, em geral, se mantiveram como pequenas empresas familiares, muito ligadas à presença do fundador, que é também sua autoridade máxima. Assim, as igrejas evangélicas conseguiram se tornar religiões de massa, ao passo que as religiões afro-brasileiras permaneceram apegadas às tradições rituais que as mantêm como culto de pequenas comunidades.

Crianças no Centro Espiritualista de Umbanda Estrela Guia,
Crianças no Centro Espiritualista de Umbanda Estrela Guia, Karime Xavier/Folhapress

Prandi salienta ainda outro fator que passou a desequilibrar a balança da competição religiosa: a perseguição às religiões afro-brasileiras como projeto de expansão das igrejas neopentecostais. Nessa cruzada, a associação entre entidades como Exu e Pombagira e o demônio foi reforçada e instrumentalizado como arma religiosa. Responsabilizadas por todo o mal do mundo, essas entidades se tornaram personagens frequentemente “interpelados”, “interrogados” e “expulsos” nos cultos evangélicos.

A consequência da demonização de entidades das religiões de orixás é, inevitavelmente, a intolerância religiosa, que só vem se agravando nos últimos anos, como mostram diversos levantamentos.

Com relação a esse triste fardo arrastado ao longo de toda a história dessas religiões no país, o que mudou foi a fonte da repressão que, como Prandi nos conta ao longo da obra, inicialmente foi promovida pela Igreja Católica, posteriormente (em especial durante a ditadura) pela própria polícia e, atualmente, por lideranças evangélicas e fiéis dispostos a vencer a concorrência religiosa por meio da violência, do preconceito e da estigmatização.

Apesar disso, as religiões afro-brasileiras resistem e, como se pode depreender da leitura, continuarão mudando enquanto estiverem vivas sem, no entanto, mudar completamente. Talvez seja esse aspecto que torna o estudo das religiões afro-brasileiras tão fascinante: o fato de unirem flexibilidade e resistência, mudança e estabilidade, abandono e memória.

Ainda que muito se tenha discutido sobre elas, haverá sempre algo a ser investigado, alguma inovação disfarçada de tradição. Por isso, mais que documentar a produção de Prandi nos últimos 50 anos e mapear a dinâmica social das religiões afro-brasileiras, “Brasil Africano” é um convite instigante para continuarmos seguindo as pistas deixadas na trilha da mudança religiosa.

BRASIL AFRICANO: DEUSES, SACERDOTES, SEGUIDORES

Goshiwon: brasileiras contam como é viver em microapartamento de 3 m² na Coreia do Sul

Entenda como são as moradias bem pequenas, com valores muito mais baratos do que apartamentos convencionais

Microapartamentos foram solução de Thaís Midori para alto custo de hospedagem em Seul
Microapartamentos foram solução de Thaís Midori para alto custo de hospedagem em Seul – Arquivo pessoal

BBC NEWS BRASIL – O primeiro contato da influencer Thais Midori, de 27 anos, com a Coreia do Sul foi há 16 anos com as bandas do estilo k-pop.

Aos 20 anos, descobriu que podia fazer um intercâmbio para o país e estudar a língua. Desde então, viaja para o território coreano todo ano, sempre com o intuito de explorar a cultura. Na primeira vez permaneceu seis meses e, depois, voltou durante as férias de janeiro e de julho.

Ao chegar lá, ela se deu conta de que a hospedagem era muito cara —e uma maneira de economizar seria ficar nos microapartamentos conhecidos como goshiwon, que têm apenas cerca de cinco metros quadrados e, às vezes, três.

“Tem em todos os lugares, em toda esquina. São miniprédios e cada andar tem vários apartamentos”, conta à BBC News Brasil.

Na maioria das vezes em que ia estudar no país, ela optava por dormir nesse tipo de alojamento. “Em um hotel barato, 17 dias, por exemplo, você gasta R$ 3.500”, afirma. Já um aluguel desse tipo de acomodação sai, em média, R$ 1.900 por mês, segundo ela.

Assim como Thais, a influenciadora e mestranda Amanda Gomes, cearense de 30 anos, também é entusiasta da cultura oriental. Com uma bolsa de estudos que recebeu na faculdade, ela viajou para a Coreia do Sul e morou no local por um ano.

Ao retornar ao Brasil, resolveu que voltaria para Seul e passaria mais tempo. Para isso, fez um planejamento financeiro de um ano e foi estudar coreano. As acomodações, porém, estavam além do seu orçamento e ela também recorreu a um goshiwon. “Vivia na linha da sobrevivência, e essa moradia é muito barata aqui”, conta ela, que mora na Coreia há quatro anos

O QUE É UM GOSHIWON?

Goshiwons são moradias pequenas e bem mais em conta do que apartamentos convencionais coreanos. Foram pensados para estudantes que desejam ficar muito tempo se preparando para concursos públicos, que usarão o alojamento somente para dormir, ou para idosos que moram sozinhos e não têm condições financeiras de arcar com aluguéis mais caros.

Quando o inquilino escolhe morar em um desses, ele pode optar por apartamentos com janela, sem janela, com banheiro privado ou compartilhado. As cozinhas e lavanderia são coletivas e alguns andares são divididos para homens e mulheres.

Cômoda, pia do banheiro e cama aparecem lado a lado em microapartamento de Thais Midori
Cômoda, pia do banheiro e cama aparecem lado a lado em microapartamento de Thais Midori – Arquivo pessoal

O goshiwon de Amanda, o modelo mais barato, tinha uma cama, uma porta como se fosse um armário, uma mesa e uma cadeira. “Eu tenho 1,68 de altura, a cama era menor que eu, meus pezinhos sobravam. As roupas ficavam [penduradas] em cima de mim, e eu tinha que deitar, pois se eu sentasse, batia a cabeça nas peças”, relembra, rindo. Amanda conta que, se esticasse os braços, conseguia encostar nas duas paredes.

“O meu não tinha ar-condicionado, só aquecedor. Aí ficava com ventilador. Uma vez fiquei com febre e pedi para me mudar de quarto para um que tivesse janela para ter uma ventilação melhor”, lembra a cearense.

Já o de Thais era um pouco maior, pois tinha banheiro interno, uma cama e uma escrivaninha. “Eu sempre pego com banheiro. É normal molhar o banheiro toda vez que ia tomar banho”, diz.

Segundo as brasileiras, a grande vantagem desta moradia é a isenção de “aluguéis-caução” e um contrato de um ano. Diferentemente das outras habitações coreanas, que exigem um valor antecipado, basta a pessoa ter dinheiro para pagar o aluguel.

A moradia é uma alternativa para quem não tem tantos recursos financeiros e, ainda assim, deseja morar na capital, Seul, e em outras cidades coreanas, segundo elas.

Dependendo do apartamento, o banheiro pode ser interno ou compartilhado
Dependendo do apartamento, o banheiro pode ser interno ou compartilhado – Gamaleldin Tarakhan

‘DESCONFORTÁVEL’

Devido ao preço, não há muitas regalias em acomodações como essa. Quanto mais barato for, menos facilidades o apartamento terá. Há locais em que, mesmo tendo janela, a abertura dá para o corredor e o inquilino nunca verá a rua.

“Realmente não vejo quem more lá porque quer morar, e sim por razões financeiras. Eu, naquela época, era tranquila e não tinha condições financeiras. Se Deus quiser não volto mais a morar lá, já que é bem desconfortável, você ouve tudo e não tem privacidade. Dá para ouvir as pessoas conversando e brigando”, diz Amanda.

De acordo com Thais, o maior problema em seu goshiwon era a circulação de ar. Nesses apartamentos, quem controla o ar-condicionado e o aquecedor, segundo ela, são os donos do imóvel, o que dificulta a regulagem dos aparelhos caso a pessoa sinta muito frio ou calor.

“Eu não podia tomar banho quente nem no inverno porque o quarto ficava todo úmido. Mesmo se eu abrisse a janela não batia vento. O ar não sai.”

Ela relembra que pediu para ligar o ar-condicionado por mais tempo e a proprietária cedeu um ventilador. “No verão é muito quente. Tinha uma vizinha de Manaus que não conseguia acreditar. É um ar quente que fica em volta de você o tempo todo. Já no frio, eu tinha cobertor elétrico”, diz Thais.

Neste goshiwon, a cama fica colada à porta do banheiro
Neste goshiwon, a cama fica colada à porta do banheiro – Gamaleldin Tarakhan

Em relação às cozinhas, alguns gostam dos “mimos” oferecidos pelos proprietários dos goshiwons. No local, sempre há miojo e arroz para os moradores. “Tinha dia que comia miojo e arroz. Sempre vai ter um arroz pronto na panela, sacos de miojo para fazer e kimchi [acelga fermentada]”, conta Thais.

As brasileiras afirmam que os valores dessas acomodações são razoáveis para morar no país. Geralmente, os preços dos imóveis são exorbitantes e, muitas vezes, é melhor escolher um goshiwon e poupar dinheiro durante a estadia na Coreia do Sul, na avaliação delas.

“Para quem quer viajar e passar muito tempo, como 60 ou 90 dias, pode ser uma boa alternativa”, diz Amanda.

NUNCA ALUGUE SEM VISITAR

É muito comum ver placas pelos bairros anunciando goshiwons, além de conseguir indicações de amigos, segundo as entrevistadas. Também há sites que disponibilizam esse tipo de imóvel.

No entanto, há lugares que podem ter problemas com mofo, por exemplo, de acordo com os relatos. Por isso, as brasileiras dizem que é importante visitar a acomodação antes de fechar qualquer contrato.

Também é comum encontrar esses miniapartamentos em sites de hospedagem, como Airbnb, para estadias de longa ou curta duração. O valor mensal pelo aplicativo, por exemplo, pode sair por US$ 700 (cerca de R$ 3.500). “Você tem uma proteção do app, porque quando você lida diretamente com um coreano é mais difícil”, afirma Thais.

Thais Midori mostra dimensões de microapartamento
Thais Midori mostra dimensões de microapartamento – Arquivo pessoal

As brasileiras alertam que há casos de encontrar cabelo no banheiro, lençol que não foi bem limpo e até de outra pessoa. E dizem que é necessário ir com a mente aberta, pois a experiência pode ser bem claustrofóbica, segundo as brasileiras.

E elas recomendam que você domine um pouco de coreano ou vá com alguém que domine a língua, pois muitos proprietários são idosos e não falam inglês ou outro idioma.

‘MINIAPARTAMENTOS’ MAIORES

Outra opção comum de moradia são os apartamentos menores que os tradicionais, mas um pouco maiores do que os de cinco ou três metros quadrados.

Eles são chamados de one room (um quarto) —parecidos com kitnets convencionais do Brasil. Alguns podem ter até 10 ou 16 metros quadrados. Para essas moradias, porém, é necessário um contrato de um ano, com depósito.

“O ser humano se adapta às situações. Questão de espaço já não me incomoda tanto”, diz Amanda, que mora em um desses atualmente e em breve mudará para um apartamento de dois quartos.

Amanda resolveu retornar à Coreia do Sul após morar no país por um ano
Amanda resolveu retornar à Coreia do Sul após morar no país por um ano – Arquivo pessoal

Mesmo sendo mais caro do que os goshiwons, esses também podem ser uma alternativa para quem tem um pouco mais de dinheiro, mas ainda assim não consegue pagar por um apartamento convencional de um ou dois quartos. “São apartamentos mais antigos e, às vezes, você precisa dar um caução de US$ 1.000”, conta a influenciadora.

Atualmente, a cearense trabalha criando conteúdo na internet sobre a Coreia e cursa mestrado em turismo e história, além de trabalhar para órgãos ligados à Unesco. Ela não pretende voltar ao Brasil. “Trabalho com conteúdos de cultura e turismo e, atualmente, trabalho ajudando brasileiros que querem viajar ou estudar no país”, diz. Thais também tem seus canais nas redes sociais, onde compartilha curiosidades sobre o território coreano.

Este texto foi originalmente publicado aqui.

Uma olhada dentro da nova sede da Heist em Oakland, Califórnia

O estúdio criativo Heist contratou recentemente a empresa de arquitetura e design de interiores Medium Plenty para projetar sua nova sede em Oakland, Califórnia.

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Espaço de descanso

“O objetivo da reforma era criar um espaço acessível e flexível para uma variedade de atividades, incluindo a criação de campanhas visuais poderosas para criar conteúdo criativo na produção e pós-produção. O primeiro desafio foi ativar o armazém industrial vazio com um programa especializado de espaços colaborativos e elegantes que também poderiam ser usados ​​para envolver a comunidade do entorno por meio de eventos de bairro.

Os pisos de concreto existentes foram restaurados e selados. Outras características originais do armazém, como as vigas de metal expostas, foram preservadas para enquadrar as modernas “caixas brancas”, projetadas como suítes privadas para reuniões, espaço de filmagem, edição e finalização. A inserção de volumes no espaço foi uma solução chave para ajudar a quebrar o espaço e criar áreas dentro deles. A cozinha/sala de descanso, com mezanino adicionado acima, acrescenta metragem quadrada para preencher e definir o espaço, ao mesmo tempo que é permeável e funcional como uma área de reunião com vista para o espaço de trabalho abaixo.
Elementos de móveis personalizados foram fabricados, incluindo um banco de entrada angular, revestido com madeira quente, complementando outros materiais naturais usados ​​em grades, escadas e portas perimetrais da suíte. As salas fechadas com vidro e detalhes em madeira contornam o perímetro do espaço de pé-direito duplo para enfatizar a amplitude do ambiente. Espaços funcionais como o banheiro e a cozinha/sala de descanso foram concluídos em vários tons de rosa terroso para delineá-los do espaço de trabalho maior e aberto.

Um segundo desafio foi maximizar a luz e a abertura do espaço com um orçamento limitado. A solução de design foi incluir o máximo de envidraçamento possível na fachada principal com enormes portas de correr de vidro na entrada e na sala de conferências, o que torna os espaços interno/externo ainda mais conectados. Com uma fachada brilhante e substancial, essa escolha de design proporcionou uma abordagem acolhedora para os visitantes, atendendo à visão dos proprietários de um centro colaborativo e inclusivo.

Além disso, a equipe de design foi encarregada de criar um espaço comunitário seguro e convidativo. A fronteira borrada entre o exterior e o interior com portas de vidro é ainda mais acentuada por uma treliça ao ar livre que fica dentro de um pátio espaçoso, permitindo eventos públicos e privados, como noites de cinema ao ar livre no bairro, pop-ups de fornecedores locais e exposições de arte. As paredes exteriores, adornadas com arte local, criam um pátio protegido e seguro dos edifícios circundantes.”

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Espaço de descanso
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Entrada
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Espaço de descanso
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espaço colaborativo
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Corredor
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Escadaria
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Sala de reuniões
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Exterior

Verticalização da Rebouças, em São Paulo, desperta risco de imóveis vazios

Construção de escritórios e apartamentos de luxo contrasta com intenção de Plano Diretor
Tulio Kruse

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Obra na avenida Rebouças, na zona oeste de São Paulo – Zanone Fraissat/Folhapress

SÃO PAULO – A paisagem da avenida Rebouças, na zona oeste de São Paulo, está em plena transformação com casas demolidas e torres com escritórios e apartamentos de alto padrão sendo erguidas. Mas essa tendência preocupa urbanistas. Na concepção do Plano Diretor, a intenção era tornar esse espaço mais acessível à população de média e baixa renda.

Conectando as avenidas Paulista e Faria Lima, a via atravessa uma das regiões mais ricas da cidade. De um lado estão quarteirões ocupados pelas casas de alto padrão do Jardim Paulistano. Do outro está Pinheiros, que concentra escritórios de grandes empresas e um dos circuitos de bares e restaurantes mais procurados da capital.

Hoje, um conjunto de quarteirões delimitado pela Rebouças e pelas ruas Teodoro Sampaio, Francisco Leitão e Cunha Gago reúne a maior quantidade de obras. Só nas áreas mais próximas à avenida a reportagem contou na última segunda-feira (2) ao menos 24 novos empreendimentos, entre aqueles praticamente completos, em construção ou terrenos com placas indicando a chegada de futuros edifícios.

Alguns escritórios em oferta chegam a mil m², e apartamentos, a mais de 160 m². Para especialistas, porém, há um risco de que boa parte desses imóveis fique vazia nos próximos anos —em uma cidade cujo déficit habitacional é estimado em 369 mil domicílios.

Nessa área, a verticalização foi incentivada pela prefeitura por causa da proximidade das estações de metrô –Oscar Freire e Fradique Coutinho da linha 4-amarela– e da existência de um corredor de ônibus na avenida. A intenção ao criar um zoneamento diferenciado era aproximar emprego e moradia e desestimular o uso do carro.

O conjunto de quarteirões em obras faz parte de um Eixo de Estruturação da Transformação Urbana, nome dado às áreas em que a gestão municipal pretende estimular o adensamento. O Plano Diretor, que é o conjunto de regras que organizam o crescimento da cidade, estipulou que essas áreas deveriam ter uma mistura de comércio, serviços e moradias destinadas a pessoas que usam prioritariamente o transporte público no dia a dia.

O QUE DIZ O PLANO DIRETOR

Conjunto de regras da cidade destinou áreas para verticalização e diversificação de renda

Localização
Áreas destinadas à expansão mobiliária e à oferta de serviços foram colocadas ao longo dos eixos do transporte público como corredores de ônibus, estações de metrô, trem e VLT

Objetivo
A estratégia para essas áreas inscrita no plano era estimular a construção de habitações para as diversas faixas de renda, o uso misto (comércio e moradia), oferta de serviços e ampliação dos espaços públicos

Nº de unidades
Uma das regras para estimular a diversificação das faixas de renda é a quantidade de unidades habitacionais mínima por espaço construído. Eixos como o entorno da Rebouças tem o maior número obrigatório de apartamentos por edifício, que equivale a um mínimo de 50 unidades a cada mil m²

Construção
Nessas áreas, o Plano Diretor também dá limites maiores para área de construção em empreendimentos que sejam de interesse social ou do mercado popular, destinados a pessoas de renda baixa e média

Quando as construtoras incluem unidades de HIS (habitação de interesse social) ou HMP (habitação de mercado popular) em seus empreendimentos, recebem o direito de construir ainda mais unidades. A HIS, mais comum, é destinada a famílias que ganham até seis salários mínimos (R$ 7.812) e o valor do imóvel para financiamento não pode passar de R$ 264 mil.

“O plano era trazer uma população que mora mais distante para essas áreas mais estruturadas. O que está ocorrendo é um efeito diverso do que se pretendia”, diz a diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, Angélica Benatti Alvim. “A cidade está se verticalizando e se transformando, mas [com o crescimento voltado] para empreendimentos de alta e média renda. Já tem bastante oferta. Será que temos tanta demanda? Quem está comprando são os investidores.”

A hipótese para a provável ociosidade, segundo urbanistas, é que a maior parte desses imóveis em construção na Rebouças não foi adquirida com a intenção de moradia, e sim por investidores.

Mapa da verticalização
Área ao redor de estações Fradique Coutinho e Oscar Freire tem estímulo para prédios mais altos; regra vale só para o lado par da avenida Rebouças

A hipótese para a provável ociosidade, segundo urbanistas, é que a maior parte desses imóveis em construção na Rebouças não foi adquirida com a intenção de moradia, e sim por investidores.

Junto com empreendimentos de luxo, há uma minoria de unidades de HIS, segundo o vice-presidente de assuntos legislativos e urbanismo do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), Ricardo Yazbek.

A tendência do mercado, segundo especialistas, é que elas sejam repassadas a um público com maior poder aquisitivo, sirvam como aluguel de curta temporada por meio de aplicativos ou fiquem vazias.

Edifício em construção na avenida Rebouças; urbanistas acreditam que parte dos empreendimentos pode ficar subutilizado
Edifício em construção na avenida Rebouças; urbanistas acreditam que parte dos empreendimentos pode ficar subutilizado Zanone Fraissat/Folhapress

No ano passado, a Folha mostrou que a Prefeitura de São Paulo não fiscaliza qual é o destino de apartamentos quando concede benefícios para construtoras que oferecem imóveis populares em seus empreendimentos.

“O que foi produzido, e para quem, nesse lugar? Essa pergunta é fundamental. Atraiu moradia popular para os usuários de transporte coletivo? A resposta é não”, afirma a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, professora da FAU-USP. “Do ponto de vista da cidade e dos objetivos urbanísticos, é inútil. E pior, é cruel, pois ainda existem pessoas precisando de moradia na cidade.”

Rolnik diz que, apesar de o plano original para essas áreas diminuir o incentivo para construção de garagens em prédios residenciais e de uso misto, a prefeitura teria permitido “gambiarras”: compensações que, na prática, garantiram vagas em garagens para as unidades mais caras. Seria outra distorção da lei, pois atrai carros para uma área onde esse modal deveria ser desestimulado.

Ricardo Yazbek, do Secovi-SP, diz acreditar que apartamentos e escritórios no local não ficarão ociosos. Para ele, o que garantirá a ocupação contínua desses imóveis é a atividade econômica movida a shows, eventos, turismo de negócios, congressos e a atração do setor de saúde a pacientes de outras regiões do Brasil.

Para ele, é natural haver uma minoria de HIS e HMP por ali, uma vez que se trata de uma das regiões com metro quadrado mais caro da cidade.

“Nessa região da Faria Lima, Jardins, Pinheiros, há bairros excelentes em que normalmente o custo do solo é caro”, ele diz. Os apartamentos menores, de até 25 m², “mesmo que não custem tão barato por metro quadrado [R$ 15 mil a R$ 20 mil], ficam mais acessíveis à classe média ou média baixa”.

As torres sendo construídas no lado par da Rebouças, em Pinheiros, contrastam com a calçada oposta. Ali, casarões do Jardim Paulistano estão abandonados e cercados por tapumes, com placas anunciando aluguel e venda dos imóveis.

É proibido construir prédios no lado ímpar da avenida devido ao zoneamento, que separa esse setor dos Jardins apenas de casas —inclusive com tombamento de parte do bairro devido ao valor histórico do bairro, planejado na década de 1910 pela Companhia City.

Com a multiplicação das torres a poucos metros de distância, tem aumentado um antigo interesse do setor imobiliário para que se libere a construção de prédios nos dois lados da Rebouças.

Segundo a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras), o investimento na Rebouças está obedecendo a orientação do Plano Diretor e também a demanda de consumidores. “As regiões que estão se desenvolvendo são aquelas que possuem demanda da população e leis que permitem seu crescimento. A Rebouças é uma dessas”, disse a Abrainc.

REVISÃO

Questionada, a Prefeitura de São Paulo disse, por meio da Smul (Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento), que tem feito um “amplo e transparente diálogo com a população” sobre o Plano Diretor nas etapas da revisão obrigatória da lei. O prazo de entrega da revisão está marcado para o fim de março, após ser adiado três vezes.

A gestão municipal afirmou que um diagnóstico sobre o plano identificou que o licenciamento de unidades de HIS cresceu na cidade como um todo, o que inclui os Eixos de Estruturação da Transformação Urbana. Esse diagnóstico também apontou “uma distribuição heterogênea entre as macroáreas da cidade”, disse a secretaria.

A secretaria também destacou o número de unidades de moradia popular entregues. “Em 2021, foram 154.573 unidades aprovadas, o maior número desde 2013 e mais do que todas as unidades aprovadas entre 2013 e 2016. Em 2022, foram 103.753 até outubro.”

Sobre a destinação de moradia popular para outros públicos, a gestão Ricardo Nunes (MDB) disse, em outubro, que o proprietário ou possuidor do empreendimento apresenta declaração se responsabilizando expressamente pela correta destinação das unidades de habitação de interesse social e de mercado popular. Essa regra está prevista no Decreto nº 59.855, disse a gestão municipal à época.