Glória Maria foi a primeira repórter negra a se destacar na TV e a usar lei contra racismo

Apresentadora conquistou a cumplicidade do espectador por suas atitudes, como a de processar o gerente de um hotel que a impediu de entrar pela porta da frente
Por Ubiratan Brasil

Foto: WILTON JUNIOR

Glória Maria trocou um selinho com Mick Jagger, dançou com Roberto Carlos, foi acarinhada por Madonna – essas são as imagens marcantes da jornalista e apresentadora que morreu na manhã desta quinta-feira, 2, no Rio, aos 73 anos. Aliás, sua idade também alimentou muitas discussões, diante da sua má vontade em revelar o número exato.

Mas Glória Maria deixa como legado uma trajetória que se confunde com os últimos 50 anos da história da TV brasileira, tornando-a uma autêntica pioneira. Afinal, foi a primeira repórter a aparecer ao vivo no Jornal Nacional, em 1977, quando reportou a saída de carros do Rio de Janeiro, em um fim de semana. Cobriu ainda eventos históricos, como a posse do presidente americano Jimmy Carter (1977), a Guerra das Malvinas (1982) e a invasão da embaixada brasileira do Peru por um grupo terrorista (1996).

A jornalista e apresentadora Glória Maria participa do programa sobre os 70 anos da TV no Brasil , apresentadora do Globo Repórter
A jornalista e apresentadora Glória Maria participa do programa sobre os 70 anos da TV no Brasil , apresentadora do Globo Repórter Foto: Victor Pollak / TV Globo

Atuou também como repórter esportiva, durante a Olimpíada de Atlanta (1996) e a Copa do Mundo na França (1998). Ao tentar explicar tal versatilidade, Glória confessava agir por impulso. “Se eu parar pra pensar racionalmente, não faço nada”, justificava.

Essa disposição alimentada pela curiosidade e até pelo susto despertava uma rara cumplicidade com o espectador, que confiava fielmente em suas informações. Trata-se de uma química que não se explica e não se cria intencionalmente, mas que simplesmente acontece.

Glória foi ainda importante em assuntos decisivos como raça. Primeira repórter negra a se destacar na televisão brasileira, ela se orgulhava de ser uma das pioneiras a usar a Lei Afonso Arinos, de 1951, que incluía a discriminação racial entre as contravenções penais. Ela contou, em uma postagem no Instagram de 2019, que, ao ser impedida de entrar pela porta da frente de um hotel no Rio, em 1970, processou o gerente, que dizia que negro não poderia entrar por ali. Glória chamou a policia, o gerente foi processado e, por ser estrangeiro, acabou expulso do País. Ao relembrar a história, ela reafirmava sua importância na luta contra a discriminação.

The Palace | Kate Winslet estampa primeira imagem da série da HBO

Produção ainda não tem data para estrear
NICO GARÓFALO

Kate Winslet – The Palace First Look

The Palace, nova série de Stephen Frears (A Very English Scandal), teve sua primeira imagem divulgada. Embora a série ainda não tenha muitos detalhes divulgados, pelo menos já podemos conferir o visual que Kate Winslet ostentará na produção – confira acima (via The Wrap):

Sem grandes detalhes revelados até o momento, The Palace acompanhará “um ano dentro de um palácio durante um regime europeu moderno que começa a se desfazer.”

Além de Winslet, a série conta com Hugh Grant (Glass Onion), Matthias Schoenaerts (Amsterdam), Guillaume Gallienne (A Crônica Francesa), Andrea Riseborough (To Leslie) e Martha Plimpton (Generation).

The Palace ainda não tem data de estreia definida.

Morre Glória Maria, um ícone do jornalismo e uma pioneira na TV brasileira

Retrato de Glória Maria Léo Aversa/Agência O Globo

SÃO PAULO – Morreu na manhã desta quinta-feira, aos 73 anos, a jornalista Glória Maria, vítima de um câncer. A informação foi confirmada pela TV Globo em nota enviada à imprensa. Segundo a emissora, o tratamento que Glória fazia para combater as metástases que existiam em seu cérebro deixaram de fazer efeito nos últimos dias.

Em 2019, ela descobriu um tumor no cérebro, tendo enfrentado o problema com cirurgia e imunoterapia. Em dezembro passado, a Globo informou que ela estava afastada da TV para tratar da saúde, mas acrescentou que isso já era previsto como parte do tratamento contra o tumor cerebral.

A idade a ela atribuída era de 73 anos, mas Glória nunca confirmou. Em entrevista a Mano Brown no podcast “Mano a Mano”, ela disse que gostava de driblar a curiosidade das pessoas sobre o assunto. “Não tem dados para provar, e eu invento. Lá atrás ninguém vai conseguir bater ‘lé’ com ‘cré’ porque eu confundi tanto que ninguém vai conseguir fazer a conta. E não é para esconder. É questão de cultura familiar.”

Primeira pessoa negra a conquistar espaço diante das câmeras no telejornalismo brasileiro, Glória foi pioneira como mulher na cobertura de guerra e rompeu a hegemonia branca também na apresentação de programas na principal emissora de TV do país, tendo sido a primeira profissional a entrar ao vivo no Jornal Nacional em cores, em 1977.

Seu legado está no espelho que construiu para tantas negras de várias gerações, que viam nela uma referência e esperança de estarem na TV. A jornalista nunca trabalhou para outra empresa que não fosse a Globo, onde ingressou ainda em 1970, como estagiária, tendo apresentado sua primeira reportagem em 1971, sobre a queda do viaduto Paulo Frontim, no Rio de Janeiro.

Mas, naquele início, o repórter não aparecia no vídeo, e os telespectadores podiam apenas ter como pista uma mão de outra cor a segurar o microfone. Quando enfim pôde mostrar o rosto na tela, o público já havia se habituado à sua voz.

Glória comandou o Fantástico entre 1998 e 2007, e mais tarde, o Globo Repórter. Antes disso, foi âncora do RJ TV, do Bom Dia Rio e do Jornal Hoje.

Como repórter, viajou por mais de cem países. Cobriu a posse do presidente Jimmy Carter em Washington, em 1977, e a Guerra das Malvinas, em 1982, de tanto cobrar o então chefe, Armando Nogueira. Não se conformava com o fato de que só seus colegas homens eram escalados para situações de conflito. Reportou também a invasão da embaixada no Peru por um grupo de terroristas, os Jogos Olímpicos de Atlanta e a Copa do Mundo na França em 1998.

Entrevistou celebridades como Michael Jackson, Mick Jagger, Madonna, Elton John, Freddie Mercury, Julio Iglesias, Roberto Carlos, Leonado DiCaprio, Harrison Ford e Nicole Kidman, além de ter viajado com Paulo Coelho pela ferrovia transiberiana até Moscou.

Retrato de Glória Maria em 1980
Retrato de Glória Maria em 1980 – Otávio Magalhães/Agência O Globo

Nascida em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro, Glória Maria Matta da Silva era filha do alfaiate Cosme Braga da Silva e da dona de casa Edna Alves Matta. Ela se formou em jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e entrou na TV Globo como estagiária de rádio-escuta, alguém que ficava garimpando informações dadas por outras emissoras de rádio e TV.

Em nota, a Globo lamentou a morte. “Glória marcou a sua carreira como uma das mais talentosas profissionais do jornalismo brasileiro, deixando um legado de realizações, exemplos e pioneirismos para a Globo e seus profissionais.”

Num tempo em que o jornalismo cobrava envolvimento zero do repórter com seu entrevistado, Glória já tinha a exata dimensão do efeito que a TV provoca nas emoções do telespectador. Muito antes de os influenciadores digitais afetarem a linguagem e os critérios do jornalismo, ela já sabia qual era o impacto de se pôr no lugar do público.

Por isso, ao apresentar a nova Ferrari de Ronaldo Fenômeno, em reportagem para o Fantástico, não fingia que aquela era uma situação normal. Exibia, sem pudor, o deslumbramento que qualquer um teria ao entrar no carro com o notório craque para dar uma volta pelas largas avenidas da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Tampouco fazia questão de disfarçar o orgulho de ser enlaçada pelos braços de Julio Iglesias para um breve passo de dança e se gabava de contar que o cantor a mandou buscar no Rio com seu jatinho, em duas ocasiões, para que ela o entrevistasse. Nem se acanhava em mostrar comoção de atender ao pedido de Roberto Carlos por um beijo. “Isso só eu tenho”, disse, ao oferecer o rosto ao Rei.

Situações como essa faziam com que Glória viralizasse muito antes que esse termo existisse. Em 2016, ela viralizou de fato, quando fumou maconha diante das câmeras, em reportagem para mostrar o ritual de fumar “a ganja” na Jamaica. “Eu não sabia o que era. O rei lá do negócio queria que eu caísse, mas não caí. Puxei duas vezes e não caí”, disse no Roda Viva, em março do ano passado.

PRECONCEITO

Fundador da Globo, Roberto Marinho tinha grande apreço por Glória Maria, que namorou seu filho caçula, José Roberto Marinho, com quem ela morou, ainda jovem. O jornalista Leonêncio Nossa relata, na biografia “Roberto Marinho – O Poder Está no Ar”, o preconceito que ela enfrentou ao entrar com ele no Country Club, no Rio de Janeiro, ambiente da alta sociedade carioca.

“Papai foi tranquilo. Gostava dela, tinha admiração por ela. Mas eu senti o preconceito no Rio quando estava na companhia dela em lugares públicos”, disse José Roberto ao biógrafo. “Aqui, as classes sociais são apartadas.”

Em entrevista a Pedro Bial, em maio de 2020, Glória confirmou o episódio no Country Club. “Era o clube inteiro olhando para aquela mesa, eu não sabia o que fazer. Eu não sabia se era só porque eu era negra ou se era também porque ele era o filho do Roberto Marinho, mas foi um dos momentos assim mais ruins, mais desagradáveis da minha vida. Eu me sentia como um macaco no zoológico, todo mundo ali, esperando a hora de dar uma banana.”

Nessa mesma entrevista a Bial, a jornalista contou que era desprezada pelo então presidente João Figueiredo, que a chamava de “negrinha”. “O general Figueiredo não me suportava. Quando ele foi indicado, a gente foi fazer a famosa fala dele na Vila Militar, em que ele dizia ‘para defender a democracia, eu bato, prendo e arrebento’.”

Contou então que cometeu a ousadia de corrigir Figueiredo sobre um erro gramatical e ele nunca mais a perdoou por isso. “Passei todo o governo Figueiredo ouvindo ele dizer ‘tira essa neguinha da Globo daqui!’.”

Gloria Maria e as filhas Laura, 8, e Maria, 9,
Gloria Maria e as filhas Laura, 8, e Maria, 9, Reprodução/Instagram/Gloria

Glória teve seus romances e casamentos, mas nunca havia sido mãe até 2009, quando resolveu adotar Laura e Maria, hoje adolescentes, ao visitar a Organização de Auxílio Fraterno em Salvador. Às duas filhas vinha ensinando a arte de “se blindar do racismo”.

“Nada blinda preto de racismo. Você tem que aprender a se blindar da dor. Mulher preta é pior ainda, nós somos mais abandonadas e discriminadas, porque o homem preto não quer a mulher preta”, disse ela no Roda Viva, em março do ano passado.

“Hoje nada me faz sofrer porque eu aprendi a me blindar e estou ensinando as minhas filhas a terem as mesmas coisas”, acrescentou, contando que ambas já haviam sofrido situações de racismo.

No mesmo programa, disse que não tinha medo da morte e se recusava a viver de acordo com a opinião alheia. “Visto um biquíni ‘petitico’, desse tamanhinho”, mostrou. “E cada vez vou diminuindo mais.”

“Eu não me preocupo nem um pouco com como eu devo me vestir, como eu devo me comportar. Quem tem que estar bem comigo sou eu, a vida é minha, ninguém paga as minhas contas, ninguém cuida dos meus problemas. Eu quero estar bem comigo porque eu vou morrer, ninguém vai morrer por mim, quem vai me julgar hoje não vai deitar no caixão no meu lugar.”

Round 6 | Participantes do reality denunciam condições “cruéis e desumanas”

Netflix, por sua vez, alega que garantiu todos os procedimentos de segurança necessários
MARIANA CANHISARES

O reality show Squid Game: The Challenge, nova competição da Netflix inspirada em Round 6, sequer estreou e já virou alvo de polêmica. Quatro dos 456 participantes denunciaram à revista Rolling Stone o que chamaram de condições “cruéis e desumanas”, depois de vir a público o incidente durante uma das brincadeiras da competição.

“Foi uma das coisas mais cruéis e horríveis que já passei”, relatou um dos participantes. No entanto, não necessariamente por causa das provas ou do rigor do jogo — embora, no caso da prova “Red Light, Green Light”, uma espécie de brincadeira à la estátua, os competidores tenham sido expostos à temperaturas baixíssimas sem poder se mover, e 10 pessoas tenham precisado de atendimento médico —. “Foi a incompetência da escala — é maior do que eles são capazes de lidar”, disse outro.

Sobre o incidente de “Red Light, Green Light”, a Netflix afirmou, em nota, que apenas três participantes precisaram de assistência médica e seus ferimentos eram pequenos. O streaming ainda garantiu que investiou em todos os procedimentos de segurança adequadoas. “Apesar do clima muito frio no set, os participantes estavam preparados para isso e quaisquer alegações de danos graves são mentirosas”.

No entanto, segundo as fontes da Rolling Stone, o streaming subestimou a gravidade da situação. Os participantes dizem que, apesar de vestirem duas camadas de roupas térmicas, dois pares de meias e seu uniforme, não foi suficiente para suportar a sensação térmica de -10°C. Não só porque as peças para aquecer as mãos e os pés foram removidos dos participantes antes do início da dinâmica, mas porque o jogo se extendeu por quase nove — os produtores teriam dito que duraria apenas duas horas. As alegações ainda dizem que houve caso do atendimento médico ser adiado porque atrapalharia as filmagens.

Diante do prêmio, as fontes da Rolling Stone relataram terem se sentido encurraladas. Segundo uma delas, as pessoas estavam dispostas a morrer pelos US$ 4,56 milhões, ao mesmo tempo que se compadeciam com o sofrimento de quem estava ao seu lado.

“As pessoas estavam se autoflagelando, eu inclusive, diante do fato de que uma garota estava convulcionando e nós lá parados como estátuas. Em que planeta isso é humano? Obviamente, você ajudaria — isso é a natureza humana para a maioria de nós. Mas é absolutamente um experimento social. Jogou com a nossa moral e é doente. Absolutamente doente”.

Além disso, os participantes dizem que a Netflix teria criado uma competição nada justa. Segundo eles, alguns dos seus concorrentes, muitos dos quais eram influencers, eram pré-selecionados para passar para a próxima fase, independentemente do resultado da prova anterior. Um deles diz que presenciou um jogador eliminado ser readmitido ao jogo, enquanto outro alega que as regras eram moldadas para privilegiar uma ou outra narrativa.

Três deles ainda narraram um evento que foi apelidado coletivamente como “o massacre dos 38 segundos”, no qual um grupo de participantes, embora tenham completado a prova em tempo hábil, foi informado pelos produtores da sua eliminação. “Eles enlouqueceram”, contou um deles à revista.

Os participantes dizem que estão atrás de aconselhamento legal para enteder se há brecha para um processo contra a produtora por violações de segurança em ambiente de trabalho e negligência. Eles alegam que foram assegurados de que o processo seria seguro, divertido e, mais importante, uma oportunidade justa de vencer.

Ainda não há previsão de estreia para Squid Game: The Challenger na Netflix. A plataforma também está produzindo a segunda temporada do hit sul-coreano Round 6.

Atriz de ‘The Last of Us’, Bella Ramsey confessa insegurança para viver Ellie

Atriz que esteve em ‘Game of Thrones’ e ‘His Dark Materials’ fala sobre filmagens, maturidade e planos para o futuro
Por Douglas Greenwood

Quando o nome de Bella Ramsey foi anunciado para ‘The Last of Us’, ela correu para ler o que estavam dizendo sobre ela nas redes sociais e acabava sempre se agarrando aos comentários negativos, já que não acreditava muito nos positivos. Foto: Charlotte Hadden/The New York Times

THE NEW YORK TIMES – LIFE/STYLE – Depois de terem surgido notícias sobre a escalação de Bella Ramsey como uma das personagens principais do novo thriller de zumbis da HBO, The Last of Us, a atriz entrou na internet para ver como as coisas estavam repercutindo. Foi difícil. “Foi a primeira vez que me confrontei com uma reação negativa”, disse Ramsey, que tinha 17 anos na época.

Isso se tornou uma espécie de vício. Ela voltava repetidamente aos comentários sobre sua aparência e suas limitações, concentrando-se principalmente nos desagradáveis, porque “não acreditava” nos positivos. “Tinha momentos em que eu achava engraçado. Então, depois de navegar por dez minutos, desligava o celular e percebia: talvez tenha sido uma má ideia”, lembrou-se Ramsey, agora com 19 anos, durante um almoço em um restaurante no mês passado.

Foi uma introdução rápida e impiedosa ao novo nível e à nova natureza da exposição que virá com The Last of Us, série sobre os EUA fictícios dizimados por um contágio fúngico mortal e uma menina, interpretada por Ramsey, que é apontada como a cura potencial. Agora, ao ser exibido na HBO, o seriado vem com altas expectativas de um público fervoroso, graças ao seu material de origem: o videogame de 2013 no qual é baseado vendeu mais de 20 milhões de cópias, ganhou aclamação da crítica e gerou uma sequência. (Ambos os jogos também foram atormentados por uma minoria feroz de fãs tóxicos lamentando a inclusão de personagens LGBTQ e outros elementos.)

Ramsey trabalha como atriz desde os 11 anos, quando assinou contrato com Game of Thrones e fez uma estreia profissional memorável como a teimosa líder Lyanna Mormont. Depois de Game of Thrones vieram várias séries infantis britânicas; a adaptação da BBC/HBO de His Dark Materials: Fronteiras do Universo e, mais recentemente, um aclamado papel de protagonista na comédia de 2022 de Lena Dunham, Catarina, a Menina Chamada Passarinha.

The Last of Us, no entanto, é o maior papel de Ramsey até hoje. Ela interpreta Ellie, adolescente que, sendo imune à doença que dizimou grande parte da população da Terra, é possivelmente a chave para a sobrevivência da humanidade. Se, e como, ela pode ser a salvação é o foco de grande parte da primeira temporada, com Ellie pegando a estrada e se esquivando de zumbis com um contrabandista, cada vez mais paternal, chamado Joel, interpretado por Pedro Pascal (O Mandaloriano).

Em 'The Last Of Us', Bella interpreta Ellie, uma menina que pode ajudar a encontrar a cura para a pandemia de fungos que transforma as pessoas em zumbis.
Em ‘The Last Of Us’, Bella interpreta Ellie, uma menina que pode ajudar a encontrar a cura para a pandemia de fungos que transforma as pessoas em zumbis.  Foto: Liane Hentscher/HBO

Enquanto Game of Thrones deu a Ramsey experiência de trabalhar em uma série de escala extravagante, The Last of Us é sua estreia como protagonista. Mas Neil Druckmann e Craig Mazin, os criadores da série, afirmaram que, desde o início, sabiam que Ramsey era a escolha certa para o trabalho. “Estávamos procurando uma combinação específica de contradições: uma pessoa que conseguisse ser engraçada e peculiar, violenta e durona. Quando assisti ao teste dela, pensei: ‘Não vi Bella atuando como Ellie – vi Ellie’”, contou Druckmann, que também liderou o desenvolvimento do jogo, em entrevista por telefone.

Quando as filmagens começaram, Mazin (Chernobyl) ficou impressionado com a capacidade de Ramsey de desafiar a si mesma no set. “Ela superava ataques ocasionais de insegurança, ansiedade ou pânico. Existem poucas pessoas melhores entre as palavras ‘ação’ e ‘corta’”, escreveu ele em um e-mail.

Para Ramsey, no entanto, a confiança em suas habilidades ainda lhe escapa. “Foi só recentemente que aceitei que sou Ellie, que consigo, que sou uma boa atriz. Mas isso vai durar algumas semanas e então vou me achar terrível de novo. Esse é o processo.”

Trajetória

Nascida em Nottingham, na Inglaterra, Ramsey cresceu no condado vizinho de Leicestershire. Tinha três anos quando se juntou à sua irmã em um grupo de teatro amador, e nunca olhou para trás, passando grande parte de sua infância envolvida com teatro depois da escola. Aos dez anos se juntou ao Television Workshop em Nottingham, que conta com os atores Samantha Morton e Jack O’Connell entre seus ex-alunos. Iain Smith, ex-diretor da escola, em entrevista por telefone, lembrou-se da atuação destacada de Ramsey em uma produção que encenaram, interpretando uma professora que se transforma em vaca: “Ela foi estratosférica no seu compromisso com o papel. Foi impressionante.”

Em 'Game of Thrones', a menina deu vida a Lyanna Mormont.
Em ‘Game of Thrones’, a menina deu vida a Lyanna Mormont. Foto: Helen Sloan/HBO

Os esforços de Ramsey a levaram ao teste para Game of Thrones. Sua Lyanna Mormont, que se juntou à série na sexta temporada, tornou-se uma favorita instantânea dos fãs, com uma garra e uma intensidade que desmentiam a tenra idade da personagem (e da atriz).

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Esse compromisso é uma qualidade que Ramsey ainda possui, de acordo com Joe Alwyn, que atuou ao lado dela na comédia do período medieval Catarina, a Menina Chamada Passarinha. Em um e-mail, Alwyn escreveu que Ramsey, que interpretou a teimosa personagem-título, estava “cheia de uma energia infantil e uma vontade de entrar e brincar, ao mesmo tempo que tinha uma maturidade e uma consciência muito além de sua idade”.

Foi só recentemente que aceitei que sou Ellie, que consigo, que sou uma boa atriz. Mas isso vai durar algumas semanas e então vou me achar terrível de novo. Esse é o processo.

Bella Ramsey, estrela de ‘The Last Of Us’, que também esteve em ‘Game of Thrones’

Ramsey nunca foi uma grande gamer, mas conhecia The Last of Us quando seu agente enviou um roteiro para o teste e a descrição da personagem de Ellie. “Eu me senti imediatamente atraída para o papel, e me apeguei a Ellie por razões que não consigo descrever.”

Depois que ela ganhou o papel, Druckmann e Mazin a aconselharam a não jogar o videogame para se preparar. Em vez disso, assistiu a clipes do YouTube com cenas significativas do jogo “para me sentir confiante em que a Ellie que eu sentia dentro de mim, sob minha pele, era a certa”.

Ramsey não conhecia Pascal pessoalmente até que a pré-produção começou em Calgary, Alberta, em julho de 2021, no mesmo dia em que ela teve de cortar mais de dois palmos de seu cabelo para o papel. (Ele ainda está guardado em um saco.) “Foi muito breve e especial. Nós nos demos bem, mas ficamos tímidos um com o outro por causa de tudo que estava acontecendo em nosso relacionamento. Nós nos conhecemos como Joel e Ellie se conheceram”, disse Ramsey sobre a reunião inicial.

A centralidade das personagens na história levou a uma proximidade entre os atores, observou Pascal. “Durante o ano em que filmamos em Alberta, éramos basicamente nós dois, com outros atores e diretores indo e vindo. Acabamos nos aproximando”, escreveu ele em um e-mail.

Durante as filmagens, por quase um ano, Ramsey viveu dentro de uma “bolha”, praticamente afastada do mundo exterior, por causa de seu exigente cronograma de filmagens e dos rígidos protocolos da covid que dificultaram a exploração de Calgary em seu tempo livre. “Como resultado, manter uma separação emocional entre mim e minha personagem foi mais difícil do que o normal. As pessoas sempre perguntam, no fim de um dia de filmagem, como volto a ser Bella, mas eu não sabia como fazer isso com Ellie, porque estávamos muito entrelaçadas.” Às vezes, ela acordava falando com o sotaque americano da personagem.

No período que antecedeu o lançamento de The Last of Us, Ramsey voltou para uma vida agitada “de uma maneira com a qual não estou acostumada”. Mas é uma mudança bem-vinda depois da pausa que ela fez desde que as filmagens terminaram em junho, a mais longa desde que tinha 11 anos. “Não sei o que é relaxar; nunca fui muito boa nisso.”

Ela preencheu o tempo estudando ciências ambientais como parte de um curso universitário a distância e se preparando para tirar carteira de motorista. Além disso, planeja deixar Leicestershire e se mudar para Londres.

Tudo faz parte do caminho rumo à independência com o qual a ex-atriz mirim, agora adulta, disse que ainda está se acostumando. “Teve um período em que me senti tão ansiosa que não conseguia sair de casa. Portanto, saber agora que um dia vou morar sozinha é emocionante para mim.” Fazer The Last of Us foi parte desse processo. “Sinto que meu mundo acabou de se expandir.”

The Last of Us é renovada para 2ª temporada pela HBO

Segundo ano ainda não tem data de estreia
FLÁVIO PINTO

Reprodução/HBO

A HBO anunciou hoje (27) que The Last of Us voltará para uma segunda temporada. O anúncio foi feito pelas redes, veja: 

A emissora não divulgou uma data para o retorno da série, mas presume-se que aconteça em 2024. 

Recentemente, Bella Ramsey, a Ellie da série, disse que era “provável” que a adaptação do jogo da PlayStation ganharia um segundo ano. “Se as pessoas continuarem assistindo, acho que [uma segunda temporada] é bem provável. Depende dos caras da HBO“; disse a atriz em entrevista à BBC. “Não há nada confirmado ainda, então teremos que esperar para ver.

Baseada no game homônimo, a história da série se passa 20 anos após a quase extinção da humanidade devido a infecção de fungos Cordyceps. É quando Joel é contratado para levar Ellie para fora de uma zona de quarentena – mas o que deveria ser um simples trabalho para ele se torna uma jornada brutal pelos Estados Unidos, onde ambos dependem um do outro para sobreviver.

Além dos dois protagonistas, The Last of Us tem no elenco Anna Torv (Fringe), Gabriel Luna (O Exterminador do Futuro), Nico Parker (Dumbo), Nick Offerman (Parks and Recreation), Murray Bartlett (The White Lotus) e Storm Reid (Euphoria).

O roteiro será responsabilidade de Craig Mazin, de Chernobyl, e Neil Druckmann, co-criador do jogo. Os novos episódios serão exibidos na HBO aos domingos, a partir das 23h.

Apple TV+ revela data de estreia de “The Last Thing He Told Me” com Jennifer Garner e Angourie Rice

 Angourie Rice e Jennifer Garner

Há muito aguardada (e falada), a série “The Last Thing He Told Me” enfim ganhou sua data de estreia — a qual foi acompanhada pelas primeiras imagens da produção, conforme divulgado ontem pelo Apple TV+.

Estrelada por Jennifer Garner (“A Justiceira”) e Angourie Rice (“Honor Society”), a série é baseada no aclamado romance bestseller de Laura Dave e acompanha Hannah (Garner), uma mulher que deve estabelecer um relacionamento com sua enteada de 16 anos, Bailey (Rice), a fim de descobrir a verdade sobre o desaparecimento misterioso do seu marido.

Cocriada e adaptada por Dave, ao lado do vencedor do Oscar Josh Singer (“The Post: A Guerra Secreta”), a série também conta com a participação de Nikolaj Coster-Waldau, Aisha Tyler, Augusto Aguilera, Geoff Stults e John Harlan Kim no elenco.

A série é produzida para a Apple pela Hello Sunshine — a mesma de sucessos como “Surface”“The Morning Show”, entre outros. Olivia Newman (“Where the Crawdads Sing”) dirige o piloto, ao passo que os episódios adicionais da série são dirigidos por Deniz Gamze Ergüven, Daisy Von Scherler Mayer e Lila Neugebauer.

“The Last Thing He Told Me” vai estrear globalmente no dia 14 de abril — inicialmente estarão disponíveis os dois primeiros episódios, os quais serão seguidos de novos lançamentos semanalmente, às sextas-feiras, até 19 de maio.

Se a série tiver o mesmo apelo do livro, a Apple certamente terá um sucesso feito em mãos — até o momento, a obra vendeu mais de 2 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos e foi traduzida em 38 países ao redor do mundo, além de receber várias avaliações positivas.

Extended interview: Sandra Bullock on her most cherished role and more

Sandra Bullock’s sunny disposition always seems to shine through in her blockbuster movies and despite past tabloid trouble. She talks about all of it with correspondent Tracy Smith. Then, we hear from award-winning pianist Jeremy Denk. “Here Comes The Sun” is a closer look at some of the people, places and things we bring you every week on “CBS Sunday Morning.”

A disposição ensolarada de Sandra Bullock sempre parece brilhar em seus filmes de grande sucesso e apesar dos problemas anteriores dos tablóides. Ela fala sobre tudo isso com a correspondente Tracy Smith. Em seguida, ouvimos o premiado pianista Jeremy Denk. “Here Comes The Sun” é um olhar mais atento sobre algumas das pessoas, lugares e coisas que trazemos a você todas as semanas no “CBS Sunday Morning”.

The Mandalorian | Din Djarin e Grogu retomam aventuras em teaser do terceiro ano

Série retorna em março, no Disney+
PEDRO HENRIQUE RIBEIRO

A aclamada série The Mandalorian divulgou um teaser de seu terceiro ano, previsto para estrear em 1º de março, no Disney+. Na prévia, vemos Din Djarin e Grogu em novas aventuras juntos. Confira acima.

The Mandalorian acompanha as desventuras de Din Djarin (Pedro Pascal), um mercenário regido pelo código de honra dos Mandalorianos, pela galáxia durante o período Imperial. O seu companheiro de viagem é Grogu, conhecido pelos fãs como “Baby Yoda”.

As duas primeiras temporadas de The Mandalorian já estão disponíveis no Disney+. O terceiro ano tem previsão de estreia para 1º de março de 2023.