Angelina Jolie, ainda invencível

5a325828-4045-4164-9589-56040f32603d.jpg_story_detail.jpgAngelina Jolie disse ter sido punk na escola e nunca esperou ser aquela pessoa que todos gostam (Ryan Pfluger para The New York Times)


LOS ANGELES — Angelina Jolie sentada, pés descalços, na varanda da sua nova casa, explicava por que deseja salvar o mundo quando Knox, seu filho mais novo, de nove anos, apareceu na porta.

“Shiloh precisa de você”, disse o menino, referindo-se à irmã do meio, que tem 11 anos.

“Shi?”, Angelina chamou, antes de desaparecer. Dez minutos depois retornou. O querido dragão barbudo (Pogonavitticeps é o nome científico) de Shiloh, Vlad, adoeceu, e agora, para tristeza da menina, estava convalescendo na clinica veterinária.

“Vai ser assim o resto da vida”, disse Angelina. “Saber tudo sobre os problemas de saúde do animal”. E continuando a conversa, lamentou o desequilíbrio que existe no mundo, em que os pets californianos são bem tratados ao passo que milhões de pessoas no mundo não têm acesso a uma assistência médica adequada. Não se tocou no fato de que ela, por seu lado, mora em uma propriedade de US$ 25 milhões, casa que comprou após se separar de Brad Pitt.

Angelina Jolie, 42 anos, está firmemente enraizada em dois mundos totalmente diferentes. É uma celebridade glamourosa, com cada filme seu nas manchetes, e também uma mulher dedicada a obras humanitárias que já realizou mais de 60 viagens como parte do seu trabalho para as Nações Unidas.

Além disso, é uma ativista defensora da saúde da mulher, que revelou para o mundo ter realizado uma dupla mastectomia preventiva. Angelina tem um perfil público meticulosamente gerido, mas afirma que não se preocupa com que os outros pensam a seu respeito.

Apesar da fome do público por detalhes lascivos da sua vida pessoal ter ofuscado o interesse pelos filmes que dirigiu, Angelina persiste em trazer histórias duras, complexas, para a tela. Três dos quatro filmes que produziu têm a guerra como pano de fundo, incluindo o mais recente, “First They Killed My Father”, baseado na história real de Loung Ung, que, ainda jovem, sobreviveu ao genocídio no Camboja e hoje é uma das mais íntimas amigas de Angelina.

Embora suas produções anteriores tenham recebido críticas pouco entusiasmadas, diversos críticos incensaram esse novo filme, considerando-o o melhor até agora. Ele é narrado a partir do ponto de vista da menina, em Khmer, e foi ovacionado no Festival de Cinema de Telluride, onde teve sua estreia. Foi lançado pelo Netflix em 15 de setembro.

Angelina disse que não conseguiria fazer esse filme se não tivesse antes dirigido “In the Land of Blood and Honey” (Na terra de amor e ódio), de 2011, sobre a guerra na Bósnia, e “Unbroken” (Invencível), de 2014, baseado na história real de um soldado americano feito prisioneiro durante a 2ª Guerra Mundial.

“Não havia um plano consciente do filme, iria produzir filmes de guerra, era o que me atraía.”

Angelina tem uma ligação indestrutível com o Camboja, especialmente porque foi lá que reconstituiu totalmente sua vista. Antes de visitar o país pela primeira vez, em 2000, para as gravações de “Lara Croft: Tomb Raider”, era a garota selvagem de Hollywood, uma personalidade excêntrica, estilo gótico, e deslumbrante. Usava um pingente com gotas de sangue do seu segundo marido Billy Bob Thornton.

Segundo ela, a graça e a humildade do povo cambojano, juntamente com os efeitos provocados pelo genocídio, fizeram com que a vida de Hollywood se tornasse uma alternativa nada agradável.

“Quando você é exposto ao que vem acontecendo de fato no mundo e à realidade de outras pessoas, nunca mais esquece, não consegue despertar e fingir que isso não está ocorrendo. Toda a sua vida muda.”

Ela adotou Maddox, hoje com 16 anos, em um orfanato, separou-se de Thorton e se lançou no trabalho humanitário e na luta ambiental.

Embora ainda estivéssemos em agosto à época da entrevista, todas as crianças já haviam começado seus estudos escolares em casa.

“As pessoas se perguntam como todos estão vivendo hoje, após a separação de Brad Pitt”, questionei.

“Não é fácil. É uma situação muito difícil, muito dolorosa, e o que desejo é manter meus filhos saudáveis”, respondeu ela.

“E como estão?”

“Melhorando.”

E deu a entender que esse último filme talvez tenha oferecido elementos para ela decidir se separar de Brad. O filme tem por foco os membros da família de Ung, e Angelina refletiu muito durante a produção sobre o que significa uma família e como seus membros devem se ajudar (o filme é baseado no livro de Ung, lançado em 2000).

“Loun sofreu horrores em sua vida, mas também teve muito amor, e é por isso está bem hoje. Algo que tenho de lembrar”, disse a atriz.

Determinada a produzir um filme o mais cambojano possível, ela se associou com o diretor Rithy Panh e contratou milhares de cambojanos como extras.

Angelina está consciente de como pode ser vista pelo público: a mulher distante, fria e impiedosa do garoto simples e afável do Missouri. Mas ela era uma punk na escola, disse, e se acostumou a não ser uma pessoa congruente.

“Nunca esperei ser alguém que todos compreendem ou gostam. E tudo bem, porque sei quem sou e meus filhos sabem quem sou eu.” [Cara Buckley]

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